Episode 208

full
Published on:

30th Oct 2026

Uma Trajetória Que Inspira!

Confira a primeira parte da conversa com Marcos Koren, Veterano policial federal cuja trajetória se confunde com diferentes momentos e experiências vividas no âmbito da Polícia Federal. Mais do que percorrer uma linha do tempo, vamos conhecer o profissional por trás das funções exercidas, compreender quais experiências contribuíram para sua formação, quais missões permaneceram na memória e de que maneira os anos de serviço ajudaram a construir sua visão sobre a Polícia Federal, o exercício da autoridade, a liderança e, sobretudo, acerca do compromisso de servir ao Estado e à sociedade brasileira!

Saiba mais!

Transcript
Speaker A:

Honoráveis Ouvintes! Sejam muito bem-vindos a mais um episódio do Hextramuros! Sou Washington Clark dos Santos, seu anfitrião!

Existem trajetórias profissionais que podem ser apresentadas por meio de datas, cargos, funções e registros administrativos.

Mas existem outras cuja verdadeira dimensão somente aparece quando conhecemos as histórias que existem por trás desses registros: as missões cumpridas, os desafios enfrentados, as responsabilidades assumidas, as decisões difíceis e, principalmente, as pessoas que fizeram parte dessa caminhada.

Neste conteúdo, dividido em dois blocos, o Hextramuros abre espaço para uma dessas histórias. Vamos conversar com Marcos Koren, veterano policial federal cuja trajetória se confunde com diferentes momentos e experiências vividas no âmbito da Polícia Federal.

Mais do que percorrer uma linha do tempo, vamos conhecer o profissional por trás das funções exercidas, compreender quais experiências contribuíram para sua formação, quais missões permaneceram na memória e de que maneira os anos de serviço ajudaram a construir sua visão sobre a Polícia Federal, o exercício da autoridade, a liderança e, sobretudo, acerca do compromisso de servir ao Estado e à sociedade brasileira!

Koren; na satisfação deste momento, o saúdo com as boas-vindas, agradecendo por você ter aceitado a compartilhar suas vivências e reflexões neste canal! Muito nos honra a sua participação!

Meu caro; antes das grandes missões, das responsabilidades e das funções que posteriormente marcariam sua jornada, houve uma decisão inicial: ingressar na Polícia Federal! Quando você retorna mentalmente àquele começo, o que o levou a tal escolha e quais eram suas expectativas sobre a instituição e a carreira que estava iniciando?

Speaker B:

Olá, grande amigo Clark! É para mim um privilégio compartilhar alguma coisa da minha experiência por meio do seu relevante programa! O meu acesso à Polícia Federal deu-se após uma certa hipérbole! Eu fui marcado na minha transição para a adolescência por dois eventos muito significativos: Em mil novecentos e setenta e seis, quando tinha 12 anos, o famoso resgate em Entebbe - uma operação magnífica, organizada pelas Forças de Defesa de Israel para resgatar mais de cem reféns no distante país de Uganda.

Em mil novecentos e setenta e oito, quando já tinha 14 anos, o sequestro e assassinato do primeiro-ministro da Itália, Aldo Moro. Esses dois eventos, com o que continham de significativo naquela época, somados ao fato de que, no segundo grau, ainda, de um Colégio Marista, eu tive contato com o Direito, firmaram em mim a decisão de buscar, por meio da carreira jurídica, a aplicação da lei, da ordem e a distribuição de justiça. Dessa maneira, aos 17 anos, eu me vi matriculado na Universidade Federal do Rio Grande do Sul, visando a cursar o Direito. Contudo, a vida nos proporciona algumas surpresas! Por conta da transferência do meu pai, militar, para a distante cidade de Foz do Iguaçu e das minhas responsabilidades como primogênito em relação aos meus irmãos menores, eu abri mão, naquele momento desse sonho para atender às demandas daquelas circunstâncias.

Dessa maneira, eu me transferi para Foz do Iguaçu, uma cidade da qual jamais ouvira falar e por onde, afinal, morei por quase 30 anos!

Tive meu primeiro trabalho num cargo celetista da Receita Federal que não existe mais - Auxiliar de Vigilância e Repressão - em cujo exercício fiz minhas primeiras prisões em flagrante por tráfico ou contrabando, mas, sobretudo, antes destas, o salvamento de um suicida que se jogaria da Ponte Internacional da Amizade, que liga Foz do Iguaçu ao Paraguai. Esta experiência com saúde mental - essas preocupações - eu levaria por toda a vida e toda a carreira!

Mas, porque o cargo em tela era temporário - dois anos - com pouco mais de um ano eu dele saí, porque estudei com muito afinco para um cargo estável e passei, logrei aprovação em primeiro lugar num concurso estadual para um banco estatal que, na época, era o mais rentável do Brasil, porém, não imune à onda das privatizações!

Apenas quando surgiu uma faculdade de direito em Foz do Iguaçu - e me aprovei de pronto no primeiro vestibular - pude então realizar o sonho de cursar Direito!

No mesmo ano, mil novecentos e noventa e três, surgiu o concurso para Polícia Federal - muito tempo sem haver processos seletivos - e estava já quase formado quando fui chamado para o curso de formação profissional para o cargo de Agente de Polícia Federal. Tranquei matrícula e parti para Brasília, que também não conhecia, e onde também já vivi algumas vezes durante a longa carreira!

Assumi, portanto, na Polícia Federal, vinte anos após a decisão nascida naquele marcante evento do resgate em Entebbe!

Speaker A:

Uma carreira policial não é construída apenas nos cursos de formação.

Muito do aprendizado surge da convivência com colegas mais experientes, das primeiras missões, dos erros, dos acertos e das situações que exigem decisões rápidas. Quais experiências dos primeiros anos foram determinantes para formar o Policial Federal Marcos Koren e que ensinamentos daquele período você carregou pelo restante da carreira?

Speaker B:

Bem! Como me garanti com boas notas no curso de formação da ANP, pude, com folga, escolher a primeira vaga para voltar para Foz do Iguaçu, onde já residia, onde já tinha as filhas na escola, casa própria!

Assim, ingressei na nossa carreira onde já morava há muito e conhecia todo o sistema de uma fronteira como aquela, o que não implica dizer-me insensível às problemáticas da época. Falo de décadas atrás! Falo de eventos com policiais presos, acusados justa ou injustamente de crimes funcionais! falo de levar a familiares a notícia de que não regressariam porque mortos em serviço! Falo da frustração com a inoperância de algumas instituições que, hoje vejo, felizmente, funcionarem muito bem e trago destes primeiros anos na carreira, então, muita bagagem, boas e más recordações, mas sobretudo amizades fraternas forjadas em torno de muitas dificuldades! Policiais de todas as forças e cargos, magistrados, membros do MP, hoje na maioria em segundo grau, colegas plenamente forjados e em altas posições, prestando excelentes serviços!

Speaker A:

Meu amigo, ao longo de uma trajetória extensa, algumas missões acabam desaparecendo na rotina institucional, enquanto outras permanecem vivas na memória mesmo décadas depois.

Sem necessariamente escolher a missão mais importante, quais episódios ou operações você considera particularmente marcantes em sua trajetória e por que eles adquiriram tamanho significado para você.

Speaker B:

Com relação às missões inesquecíveis, eu diria que fui agraciado por inúmeras oportunidades ao longo da carreira, atuando nas áreas de operações contra o tráfico, quando com minha equipe colocamos o nome de Foz do Iguaçu, da nossa delegacia em Foz, no mapa da DRE brasileira, a Divisão de Repressão a Entorpecentes, o que a mim e a um colega rendeu, na época, vagas em curso da DEA, a agência norte-americana de aplicação da lei no tocante à repressão ao tráfico internacional de drogas.

Atuei também na área de Inteligência, Cooperação Internacional, Comunicação Estratégica ou Social, como chama a PF, Corregedoria e Segurança Institucional. Todas permitiram-me o aprimoramento pessoal e profissional, levando-me à docência na ANP, em algumas dessas disciplinas especiais.

Levou-me também a representar a PF no Conselho de Segurança do Tribunal de Justiça do Paraná, a ocupar com ineditismo, para o meu cargo, a assessoria direta de um Ministro da Justiça e Segurança Pública, como Conselheiro de Segurança e responsável - desonerando a PF - por todo o seu esquema de proteção e segurança pessoal e institucional!

O maior galardão, contudo, foi a indicação para a nossa adidância em Washington, capital americana! Missão memorável para toda a vida, pela nobreza do reconhecimento, pois nunca me conduzi na carreira buscando recompensas!

Naquele cargo, fui adjunto e titular até receber a nova equipe que nos sucedia. Foi, ainda, oportunidade para fortalecer o nome e o conceito da PF junto às agências federais americanas e aprofundar conhecimento sobre a história, cultura daquele país e de seu sistema legal. Aquela missão permitiu-me ainda uma graduação em um curso muito relevante em uma das escolas do Pentágono, o que, somado a outro curso em Israel e diversas outras missões com outras forças de outros países, me capacitaram a lecionar Direito Comparado, atualmente, na Universidade Dinâmica Cataratas em Foz do Iguaçu.

Speaker A:

Em determinadas funções, o policial deixa de responder apenas pelos próprios atos e passa a assumir responsabilidades sobre equipes, operações e decisões que podem produzir consequências institucionais importantes.

Em quais momentos de sua trajetória você percebeu que havia passado de executor de missões para alguém sobre quem também recaía a responsabilidade de decidir, orientar e liderar?

E como essa mudança transformou sua maneira de enxergar a atividade policial?

Speaker B:

Bem! A questão da responsabilidade é inerente à investidura em cargo público, notadamente no âmbito da segurança pública, quando somos o "garantir" da sociedade, que não admite - como nós, também não - a interrupção do serviço ou a prestação do mesmo em níveis insatisfatórios! Num cenário assim, recordo-me de que, em dado momento, percebi pontualmente que o escalão hierárquico titubeava em uma grave decisão. Acionei, então, um nível imediatamente superior para, "sanear o feito". Guiei-me sempre por um conselho paterno castrense: "terás poucos amigos, mas todos o respeitarão!". Ao cabo de situações assim em várias instituições, granjeei respeito, que também se traduziam em relações positivas e duradouras.

Speaker A:

Cada função exercida dentro de uma instituição permite enxergá-la de uma perspectiva diferente. Algumas aproximam o profissional da atividade operacional, outras da gestão, do planejamento ou das decisões estratégicas. Entre as diferentes funções que você exerceu, quais mais ampliaram sua compreensão sobre a Polícia Federal como instituição e o que cada uma delas acrescentou à sua formação profissional?

Speaker B:

Meus papéis na PF, funções que ampliaram minha cognição sobre a seriedade do que fazemos! Na PF foram, em certa ordem, o rigor na produção da prova penal, pois o papel do policial não se esgota em absoluto na lavratura do auto de prisão em flagrante! Por exemplo, acompanhei mais de cem casos até aos tribunais para certificar-me do êxito! Rigor na coleta e análise de informações; absoluta responsabilidade na instrução de apuratórios disciplinares; denodo na representação da Casa junto à sociedade por meio da imprensa a outros órgãos da administração, do Poder Judiciário e; fora da PF - quando cedido ao Ministério da Justiça - absoluta dedicação ao exercício oneroso de função pública relevante no maior interesse do bem público! Me tocou, por portaria ministerial, cumprir e fazer cumprir ordem presidencial, sabendo assim quão onerosas são nossas funções de direção!

Speaker A:

Honoráveis Ouvintes! Nossa conversa com Marcos Koren percorreu até aqui as origens de sua trajetória, os primeiros aprendizados e algumas das experiências e responsabilidades que ajudaram a formar o profissional.

Mas, uma carreira construída ao longo de tantos anos não é feita somente de missões cumpridas! Ela, também, é feita de pessoas, de decisões, de valores e de transformações institucionais testemunhadas por quem esteve dentro da organização. Faremos uma breve pausa!

Sou o Washington Clark dos Santos, seu anfitrião! Na sequência, no próximo episódio, vamos avançar justamente nessa direção. Liderança, mudanças na Polícia Federal, relações profissionais e o legado construído ao longo da carreira.

Acesse o nosso website e saiba mais sobre este conteúdo!

Inscreva-se e compartilhe nosso propósito!

Será um prazer ter a sua colaboração!

Pela sua audiência, muito obrigado e até a próxima!

Show artwork for Hextramuros Podcast

About the Podcast

Hextramuros Podcast
Vozes conectando propósitos, valores e soluções da segurança pública, justiça criminal e tecnologias!
Ambiente para narrativas e entrevistas com pesquisadores e/ou profissionais da segurança pública, justiça criminal e empresas de tecnologia, no intuito de estabelecer e/ou ampliar a conexão com temas, produtos e serviços de interesse das referidas áreas.
Trata-se, também, de espaço em que este subscritor, lastreado na vivência profissional e experiência amealhada nas jornadas no serviço público, busca conduzir (re)encontros, promover ideias e construir cenários para a aproximação entre a academia, a indústria e as forças de segurança.

About your host

Profile picture for Washington Clark Santos

Washington Clark Santos

Produtor e Anfitrião.
Foi servidor público do estado de Minas Gerais entre 1984 e 1988, atuando como Soldado da Polícia Militar e Detetive da Polícia Civil.
Como Agente de Polícia Federal, foi lotado no Mato Grosso e em Minas Gerais, entre 1988 e 2005, ano em que tomou posse como Delegado de Polícia Federal, cargo no qual foi lotado em Mato Grosso - DELINST -, Distrito Federal - SEEC/ANP -, e MG.
Cedido ao Ministério da Justiça, foi Diretor da Penitenciária Federal de Campo Grande/MS, de 2009 a 2011, Coordenador Geral de Inteligência Penitenciária, do Sistema Penitenciário Federal, de 2011 a 2013.
Atuou como Coordenador Geral de Tecnologia da Informação da PF, entre 2013 e 2015, ano em que retornou para a Superintendência Regional em Minas Gerais, se aposentando em fevereiro de 2016. No mesmo ano, iniciou jornada na Subsecretaria de Segurança Prisional, na SEAP/MG, onde permaneceu até janeiro de 2019, ano em que assumiu a Diretoria de Inteligência Penitenciária do DEPEN/MJSP. De novembro de 2020 a setembro de 2022, cumpriu missão na Secretaria Especial de Previdência e Trabalho, no Ministério da Economia e, posteriormente, no Ministério do Trabalho e Previdência.
A partir de janeiro de 2023, atua na iniciativa privada, como consultor e assessor empresarial, nos segmentos de Inteligência, Segurança Pública e Tecnologia.