Uma Trajetória Que Inspira! Bloco Final
No bloco final da conversa com Marcos Koren, vamos compreender as experiências, os valores e os aprendizados existentes por trás de uma formidável e inspiradora trajetória pessoal e profissional.
Saiba mais!
Transcript
Honoráveis Ouvintes! Sejam muito bem-vindos a mais um episódio do Hextramuros! Sou Washington Clark dos Santos, seu anfitrião!
Estamos de volta com Marcos Koren, veterano policial federal, para o segundo bloco da conversa sobre sua jornada profissional na Polícia Federal.
Antes da pausa, percorremos alguns dos momentos e funções que marcaram essa caminhada.
Agora, avançaremos para uma dimensão igualmente importante, aquilo que uma longa trajetória profissional deixa nas pessoas e na própria instituição.
E, neste recomeço, falando sobre liderança, Koren; liderar profissionais de segurança pública possui características muito particulares: são equipes formadas por pessoas qualificadas, submetidas à pressão, responsabilidades e, muitas vezes, riscos consideráveis!
Ao longo das funções em que esteve à frente de equipes, que conceito de liderança você desenvolveu e quais características considera indispensáveis para alguém que recebe a responsabilidade de comandar outros policiais?
Convidado:Liderar policiais; o maior desafio! O exercício da autoridade, assumindo responsabilidades que são avaliadas com extremo rigor, não só pelos pares eventualmente chefiados, como por chefes e, sobretudo, por critérios legais, implica discernimento!
Liderar, comandar, chefiar, conduzir colegas sob sua responsabilidade exige conhecer da transitoriedade de todas as funções e das consequências que serão duradouras, sejam positivas ou não! É ter presente que, mais do que o seu bom nome, releva preservar pessoas, profissionais, a integridade destes e a reputação institucional.
Sabemos que na nossa ordem jurídica o conceito de hierarquia no serviço público civil se dá por função e não por cargo. Essa diferença é fundamental conhecer bem!
Nas organizações civis da Segurança Pública, como é a nossa PF e as outras polícias dos Estados, a autoridade de Polícia Judiciária é exercida por delegados de polícia e, como disposto em lei, por ocupantes deste cargo são exercidas com o mesmo grau de responsabilidade as funções de direção e gestão dos órgãos centrais, regionais e, destes descentralizados, muitas exceções atualmente! Isso, contudo, não exime ocupantes de outros cargos de se prepararem para eventualmente atuarem sempre com a mesma responsabilidade para missões de chefia, comando, liderança, condução de atos e processos no interesse maior da administração.
Entendo que, neste ponto, a palavra-chave é responsabilidade! Não cabem a omissão e a desídia como excusa quando o maior é o interesse público, aferido inclusive por órgãos de controle!
Anfitrião:Quem permanece muitos anos em uma instituição possui uma posição privilegiada para perceber mudanças que, para as novas gerações, podem parecer naturais. Tecnologia, inteligência, investigação, cooperação internacional, gestão e especialização transformaram profundamente a atividade policial. Olhando para a Polícia Federal que encontrou quando ingressou e comparando-a com a instituição que conhece hoje, quais transformações mais chamam sua atenção e o que elas representam para o futuro da atividade policial federal?
Convidado:Ah, sim! A transformação da PF é constante em suas oito décadas, e sou testemunha desta evolução em mais de quatro delas, pois, quando atuei, no início dos anos oitenta na Receita Federal, na fronteira, o fazia com colegas do então chamado Departamento de Polícia Federal!
Nesses quarenta e quatro anos, percebi saltos exponenciais em todas as áreas de atuação, Clark, em fronteiras e capitais, no Brasil e nos nossos postos no exterior!
Houve mudanças significativas para acompanhar a evolução natural dos eventos sociais, jurídicos, tecnológicos, geopolíticos, mas, tendo sido aluno e professor da nossa ANP e, até hoje, acompanhando os cursos de formação profissional, faço aqui uma observação: Este ano de dois mil e vinte e seis, a PF forma mais de dois mil e cem novos policiais, sendo mil quatrocentos e trinta agentes!
Posso, então, assegurar que a melhor transformação nesta respeitável instituição reside na superlativa capacitação dos nossos colegas, seja em nível contínuo para os que seguem na ativa, seja na excelente formação que recebem os novos policiais, novos colegas, nesta formidável Casa de Ensino que é agora denominada Diretoria da Academia Nacional de Polícia!
Anfitrião:Chega um momento em que as operações terminam, os cargos são transmitidos e outras gerações assumem responsabilidades que anteriormente estavam sob nossa condução. É nesse momento que talvez apareça uma pergunta mais profunda sobre uma carreira. Quando você observa toda a sua trajetória, que contribuição gostaria que permanecesse associada ao nome Marcos Koren dentro da Polícia Federal e entre os profissionais que trabalharam ao seu lado?
Convidado:Eu gostaria de ser lembrado como um servidor que jamais se resignou com aquilo que carecia de aperfeiçoamento, melhoria, com os meios disponíveis ou por meio de inovação dentro das balizas legais!
Com fidelidade aos fatos e tendo vindo para o serviço público com larga experiência num setor da economia em que competição gera qualidade, posso dizer que, ao chegar ao Departamento - como chamávamos - encontrei muito com o que contribuir, visando a esta qualidade!
Em todas as áreas em que atuei, a ideia foi deixar a régua ou o sarrafo num patamar mais elevado - e me sinto bem, verificando que consegui!
Em diversas ocasiões tive de do zero, sem recursos, criar, instituir, construir - com a literalidade da palavra - sejam repartições, processos ou procedimentos!
Como disse antes, conquistei uma vaga na DEA, levando em alguns meses as apreensões de maconha da delegacia de Foz do Iguaçu - na época, chamada Divisão de Polícia Federal - de quarenta para seiscentos quilos, valendo-me da cooperação internacional com a autoridade do Paraguai. Deixei a DRE na casa das doze toneladas e, com muita alegria, sei hoje que esse recorde já foi até dobrado!
No âmbito da Corregedoria em que atuei, tanto no interior quanto na capital, num caso extremo - necessário, porque excepcional - provei que é possível, num Processo Administrativo Disciplinar, ir-se da instauração à demissão do criminoso em poucos meses, compartilhando provas com a Justiça Federal!
Na Comunicação Social, logrei inovar no uso de redes sociais, quando tínhamos apenas o Twitter, absolutamente sempre fiel aos ditames da Instrução Normativa número treze-zero-oito, vigente integralmente até hoje, ajudando a estabelecer um padrão de qualidade que até hoje é referência em comunicação institucional!
No Itamaraty e no âmbito da cooperação internacional, deixamos uma marca que hoje sei referência, sempre atuando em equipe, muito bem orientado, para enaltecer o nome da PF pelo mundo!
Na missão do Ministério da Justiça e Segurança Pública, levei a bom termo altas responsabilidades, atuando por vinte e quatro meses ininterruptos - sem um só dia em off - com sucesso, graças à qualidade do grande time que pude formar, que lá fez história e deixou legado!
Com firmeza de propósitos, meu amigo, no esteio dos melhores princípios, não há o que não se possa melhorar!
Anfitrião:Koren; vamos, agora, direcionar nosso olhar para aqueles que estão começando.
São homens e mulheres que hoje ingressam na Polícia Federal e que ainda viverão suas primeiras operações, suas primeiras responsabilidades, seus primeiros desafios e, futuramente, também ocuparão posições de liderança.
Se você pudesse conversar hoje com um jovem policial federal no primeiro dia de sua carreira, o que diria ele sobre compromisso institucional, ética, companheirismo e sobre o verdadeiro significado de servir à Polícia Federal e à sociedade brasileira?
Convidado:Venho dizendo, desde que fui honrado com a primeira oportunidade de ensinar na ANP, há mais de duas décadas, que não aceitei os desafios da docência na nossa "alma mater" para contar-lhes aos novos colegas - aos alunos - sobretudo o que deu certo onde e quando tivemos êxito ou, menos ainda, para nos colocarmos como paradigma, mas sim, para que saibam que, eventualmente, as coisas podem sair muito diferente do esperado! Pode dar errado, pode se vir a ter problemas, mas não se pode, em hipótese alguma, perder o controle da situação, deixar-se apanhar omisso, negligente ou faltoso! Que se peque por excesso, mas não por falta! Que somos, todos nós, responsáveis por cada um dos membros de uma equipe, ainda que haja um entre nós designado para chefia ou comando! Todos somos corresponsáveis! Todos devemos, ainda, perseguir o ideal de, quando possível, nos vermos no espelho, certos de que agimos com acerto e lealdade!
Anfitrião:Algumas carreiras são lembradas pelos cargos ocupados, outras pelas operações realizadas, outras, ainda, pelas funções de comando e pelas responsabilidades assumidas! Mas, talvez a verdadeira medida de uma trajetória profissional esteja na combinação de tudo isso com algo que nenhum currículo consegue registrar integralmente: a marca deixada nas pessoas que compartilharam aquela caminhada!
Nossa conversa com Marcos Koren buscou exatamente isso, não apenas conhecer onde ele esteve ou quais funções exerceu, mas compreender as experiências, os valores e os aprendizados existentes por trás dessa trajetória!
Koren; caminhando para o final, repriso os meus agradecimentos pela sua participação e, acima de tudo, pelos seus serviços! Deixo este espaço para suas considerações finais. Fraterno abraço!
Convidado:Grande amigo Clark! Sou eu quem agradece a oportunidade e digo como últimas palavras, em arremate, que já levo mais de seis décadas de vida, quarenta e quatro anos do primeiro salvamento, naquele caso de tentativa de suicídio - porque houve outros - em que pude, com êxito, agir e também das primeiras prisões em flagrante em que lidei pela vez primeira com a experiência da lavratura de um auto de prisão em flagrante, depois, das audiências em juízo, da pressão da defesa que, com legitimidade, faz o seu papel, da interação com o Ministério Público na produção da prova.
Diria que ser policial implica saber que se conviverá com as mazelas da natureza humana, afinal, a polícia existe, no nosso contrato social, para impor e aplicar limites! Todas as demais instituições de controle só surgem quando a polícia já fez a pior parte! Há de se estar atento à própria saúde, física e mental - muito importante esse ponto! Para que, então, se possa velar pelos próximos, como naquele caso clássico do exemplo das máscaras de oxigênio no avião!
Há de se preservar os valores da ética, da lealdade, da probidade - sempre atentos, porque isto é ser policial - à oportunidade de estender a mão. O policial em si é um cidadão virtuoso! Lembro, por derradeiro, o conselho de um grande amigo, parceiro de muitas décadas na carreira: devemos, sempre, estar preparados para as surpresas que a vida nos pode apresentar, reagindo, contudo, com calma e segurança, certos de que tudo passa, porque para tudo há um tempo! Diante da certeza de que a vida se desdobra como os movimentos de uma roda gigante, na qual as circunstâncias fazem com que em um ou alguns, em algum momento estejam no topo e logo mais empreendendo outra volta do mesmo passo, ter em conta que uma instituição como a PF, a ela cabe o papel de eixo desta mesma roda, com firmeza e decisão, assegurando que a mesma funcione como é da sua natureza!
O policial federal é a essência da instituição, portanto, em suma, é ele, no seu proceder seguro e equilibrado, o eixo da própria sociedade. Sem ele, a roda tomba! Muito obrigado e um forte abraço!
Anfitrião:Honoráveis Ouvintes! Este foi mais um episódio do Hextramuros! Sou Washington Clark dos Santos, seu anfitrião! Acesse o nosso website e saiba mais sobre este conteúdo!
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